sábado, 31 de outubro de 2015

Concluído acordo entre os EUA e alguns países sobre o TPP

 
As economias que compõem o TPP são responsáveis por 40% do PIB mundial e um terço do comércio global. Uma vez formado, será o maior acordo de livre comércio da história. Juntamente com a conclusão das negociações sobre o " Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento", é possível que os Estados Unidos controlem as novas regras do comércio, investimento e serviços globais, criando mais incertezas nas relações econômicas e comerciais para os países em desenvolvimento.
 
O secretismo como decorreram as negociações entre a UE e os EUA sobre a futura TTP, bem evidente com a descricionaridade da Comissão Europeia permitir apenas a alguns eurodeputados a informação , recusando-a a outros vai a par da não inclusão nessas negociações de países como a China, a Rússia e outras potências emergentes dos BRICs, é revelador de um golpe que se prepara.
O acordo sobre a Parceria Trans-Pacífica (TPP) foi concluída no passado dia 5, entre os EUA e representantes oriundos de outros 11 países, dos tais em que "os States parecem ser quem mais ordena": Japão, Austrália, Canadá, Singapura, Brunei, Malásia, Vietname, Nova Zelândia, Chile, México e Peru.
Após este acordo, Barack Obama, afirmou que os Estados Unidos não podem permitir que as regras do comércio global sejam definidas por países como a China, mas tão só pelos Estados Unidos.
 Uma vez voltado contra a China, a TPP iria gerar, com certeza, impactos sobre a China e outros países.
 
O acordo visaria abrir novos mercados para os produtos norte-americanos e, ao mesmo tempo, definir "padrões elevados para proteger os direitos dos trabalhadores e o meio ambiente" (a que esses países não convidados não corresponderiam...). Mas sabe-se que esses "padrões" vão fazer exactamente o contrário aos trabalhadores e ao ambiente.
 
Assim, quanto à protecção ambiental: Diminuição dos padrões de protecção ambiental.   Autorização da exploração de gás de xisto (fracking) . Venda de produtos com químicos não testados.  Desregulação dos níveis de emissões no sector da aviação.
Quanto à segurança alimentar: Concorrência agressiva das empresas agroindustriais dos EUA.  Autorização dos Organismos Geneticamente Modificados. Utilização de hormonas de crescimento na carne. Desinfecção de carne com cloro.
 
 
Quanto ao emprego: Falsas promessas de um aumento do número de postos de trabalho.  Aumento do desemprego em vários sectores, não estando prevista a atenuação dos efeitos negativos da Parceria.  Diminuição dos Direitos Laborais e salários.  Aumento da precariedade. Tudo como aconteceu na União Europeia e outros tratados de expansão dos mercados de uns países para os outros
Quanto à saúde: Aumento da duração das patentes dos medicamentos,impossibilitando a venda de genéricos a preços mais acessíveis.  Serviços de emergência poderão ser privatizados.  Venda de produtos com químicos não testados.
Quanto à liberdade e privacidade: Tentativa de ressuscitar a ACTA(1). Violação da privacidade e liberdade de expressão.  Transformar os fornecedores de internet numa força policial de vigilância privada do sector empresarial.  Bloqueio de projectos de investigação.  Fortalecimento dos Direitos de Propriedade Intelectual.
E quanto aos serviços financeiros: Liberalização e desregulamentação dos serviços financeiros.  Maior participação do sector financeiro no processo legislativo. Maior liberdade na criação de novos produtos financeiros.  Maior facilidade de deslocação dos bancos para países com impostos mais baixos.

No ponto de vista interno de cada país, o TPP funciona como uma espécie de "seguro de vida", como referiu no início deste ano o eurodeputado João Ferreira (2).
A resolução de litígios Estado-Investidor, por via arbitral («Investor-State Dispute Settlement», ISDS na terminologia anglo-saxónica), é um desses seguros de vida. O ISDS tornou-se um mecanismo habitual em acordos de liberalização de O chamado mecanismo de investimentos. Um mecanismo que permite às multinacionais intentar processos judiciais contra os Estados, fora dos tribunais e escapando às leis nacionais, sempre que as suas instituições soberanas ousem aprovar leis ou outra regulamentação susceptível de afectar os interesses dessas mesmas multinacionais, ou seja, de reduzir as suas expectativas de lucro, em face dos investimentos realizados anteriormente às referidas medidas legislativas ou regulamentares.
 
(1) In "O Militante", Economia, edição nº 334 - Jan/Fev 2015.
(2) Acordo Comercial contra a Contrafacção  com o objectivo de reforçar os padrões internacionais dos direitos de propriedade intelectual. O Conselho Europeu (órgão não eleito) aprovou-o mas, após rejeição muito larga nas opiniões públicas de muitos estrados-membros, o Parlamento Europeu rejeitou a proposta em 4/7/2012 por 478 votos contra, 3 a favor e 165 abstenções. Ficou o Tratado assinado mas não ratificado
 

 

Carga policial ontem em Ramallah, com prisões de jornalistas

Ontem forças israelitas dispararam fogo real e lançaram gás lacrimogéneo contra manifestantes palestinianos e jornalistas, que junto deles estavam  a filmar, durante uma manifestação de protesto em Ramallah. Os manifestantes atearam fogo a um veículo militar israelita depois deste ter  disparado gás durante os confrontos. Vários jornalistas foram presos  na área inundada pelo gás lacrimogéneo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Toutes les grandes actions
et toutes les grandes pensées
ont un commencement dérisoire."
"Todas as grandes ações
e as grandes ideias
têm um começo irrisório."
 
Albert Camus
Nobel francês da literatura,
 1913-1960
in Le Mythe de Sisyphe

O velório da Ajuda pelo governo dos "doze dias"

Cavaco insistiu.
Apesar de conhecer que duas hipóteses de governo estavam preparadas, contraditórias entre si, de forma manifestada pelos próprios, se tinham formado, indigitou Passos Coelho, por ser o presidente do partido mais votado, para criar um governo de maioria estável..
Passos Coelho não lhe trouxe um governo de maioria estável, mas de uma minoria que fez o que fez durante quatro anos aos portugueses e ao país.
Cabia-lhe indigitar o dirigente do 2º partido mais votado, que sabia ter essa alternativa de governo já a ser trabalhada com outros dois partidos.
Devia ter dado posse a um governo desta maioria e não a um governo de minoria.
A tradição não pode sobrepor-se ao facto de que é na Assembleia da República que o Primeiro-Ministro é eleito e ao outro facto de uma maioria significativa dos portugueses ter querido dizer que Passos, Portas e as suas políticas deveriam ir embora.
Cavaco continuou a insistir.
Assim adiou por semanas a solução do problema enquanto os operacionais da direita iam falando de "crise", de "instabilidade no país", "dos riscos de um governo de esquerda", da "Europa e os mercados - seja lá isso o que for - estarem de olho em nós" e por aí fora numa lengalenga chantagista.
 
Assistir pela TV àquele acto de posse foi deprimente. Os perfis estavam carregados. Durante a conversa de Cavaco ali e além apercebiamo-nos de algum sono na sala e até Passos Coelho fechou os olhos.
Cavaco foi igual a si próprio apesar de alguns dos presentes acharem que tinha sido mais cordato. De novo disse que ninguém lhe apesentou solução alternativa, como se as soluções lhe devessem cair no regaço, à molhada, ao arrepio das regras constitucionais.
Passos Coelho foi mais aplaudido numa ovação onde o sabor a despedida e reconhecimento dos seus correligionários foi evidente. Cavaco não parece ter gostado. O Primeiro-Ministro a prazo elencou linhas gerais do seu programa, completamente contraditórias com a prática destes 4 anos. A ex-presidente da AR se tivesse podido falar talvez se referisse a um inconseguimento...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Não é, Portas?

A afirmação do
presidente do CDS/PP
denota, de forma
muito nítida, 

querer manter a toda
a custa o poder,
ter a sede de poder,
da gamela do poder

Não sofra mais

Editado por António Costa Santos

Com Angola no coração

A decisão de Luaty Beirão de pôr fim à greve da fome é uma boa notícia. Se isso não tivesse acontecido, eu próprio teria hoje aqui feito um apelo às autoridades angolanas para libertarem os angolanos que com ele estão presos. Para se evitar um desfecho trágico e um capital de crítica a Angola, e não por estar convencido de não haver matéria que leve à sua incriminação.
 
 
Não me passa pela cabeça que esse grupo de cidadãos angolanos tivesse sido preso por estarem...a ler um livro num apartamento. Tenham vergonha os que assim desafiam a nossa inteligência. Outras notícias referiam que a "leitura" era dum manual dum operacional norte-americano que "trabalhou" na eclosão das "primaveras árabes" - que tiveram o resultado que sabemos. E que começaram com os "actos" que importa não esquecer.
 
José Eduardo Agualusa, um dos angolanos que com outros circulam de Angola para cá e lá regressam, que dispõem de blogs e meios pessoais com duras críticas ao Estado Angolano, têm sido presos, visto limitado o exercício da sua liberdade de informação?
Ainda Agualusa ontem dizia que com esta acto "se ia iniciar a luta pela democracia em Angola". Agora? E a luta anticolonialista e independência não fazem parte desse activo? E o vencer de dezenas de anos de guerra interna que deixaram marcas profunda em várias gerações e atrasou o processo de desenvolvimento também não? E o ousado processo e reconciliação nacional depois disso, que integrou na sociedades e nas forças armadas  todo o pessoal da UNITA, que fez com que tenha sido nomeado Chefe do Estado Maior das Forças Armadas um militar da UNITA ou levado a Provedor da Justiça um destacado jurista da UNITA também não conta? E o arranque do crescimento, o desenvolvimento da educação e do sistema de saúde ou a utilização da riqueza petrolífera para o desenvolvimento também não contam? A existência de eleições livres a que concorrem diferentes partidos políticos que assim conformam o estado angolano com o histórico recente do país não conta? E a reacção à intencional descida dos preços de petróleo provocada pelos EUA e a Arábia Saudita para causar problemas a países como Angola também não conta?
Agualusa parece  ignorar os retrocessos que isso pode provocar ou talvez não porque, em entrevista que ouço neste mesmo momento , encara como auspiciosa a perspectiva de "rebeliões" que isso poderá provocar e que o regime angolano tem medo com casos como o de Luatyr Beirão neste ambiente. Não deveria se tivesse bases concretas de acusação?
 
Esperemos os termos da acusação para o julgamento marcado para dentro de poucas semanas e o exercício do contraditório, um funcionamento normal da Justiça, em Angola independente do poder político.

domingo, 25 de outubro de 2015

Dilma renova o compromisso com a Reforma Agrária












Enquanto a iniciativa de impeachment de Dilma esbarra nos argumentos de muitos juristas e Aécio a decidiu atrasar, o país não para.

Os grandes proprietários da terra resistem à Refoma Agrária mas os agricultores, sob a direcção do MST vencem a paralisia da Reforma Agrária.

Os agricultores familiares ocupam uma área correspondente a 25% dos estabelecimentos rurais, ou seja, apenas 16% dos proprietários de terras do País detêm 75% das áreas, segundo disse há umas semanas o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, na Comissão Geral realizada no Plenário da Câmara dos Deputados.

Desde 22 de Setembro, famílias Sem Terra ocupam duas áreas da Fábrica de  Santa Elena, Goiás . A ocupação que começou com 200 pessoas já conta conta hoje com cereca de 4 mil Sem Terra. Para José Valdir Misnerovicz, da coordenação estadual do MST, o alto número de pessoas que aderiram à ocupação reflete a atual situação política e econômica do país.

 Para o dirigente do MST esse aumento de famílias acampadas em tão pouco tempo reflete a falência do atual modelo económico ditado pelos interesses do agronegócio e das grandes corporações”.

Para Misnerovicz esse é um fenômeno que deve ser observado num momento em que retrocessos democráticos estão presentes na vida do povo brasileiro. Segundo ele, falta a terra para os Sem Terra, mas sobra concentração de terra, sobram latifundiários que não pagam pela crise, que não têm suas grandes fortunas taxadas por impostos.

Dirigindo-se aos agricultores, presentes na 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária, Dilma insiste que “a reforma agrária é continuará a ser uma luta fundamental para a construção do Brasil desenvolvido com que sonhamos”. 

Segundo “O Vermelho” Dilna referiu que a reforma agrária “que queremos e estamos fazendo” garante “o acesso à terra e, também, assegura apoio à produção sustentável, cria os canais de comercialização justa e garante qualidade de vida às famílias nos assentamentos”.

Em 2015, o governo federal assentou 15 mil famílias acampadas. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, que entregou recentemente um plano de reforma agrária para a presidenta, o objetivo do governo é assentar, até o fim de 2018, todas as famílias de sem-terra acampadas remanescentes no Brasil.

De acordo com ele, isso corresponde a cerca de 120 mil famílias
.
Segundo o jornal do Partido Comunista do Brasil, Dilma afirmou  que nos últimos 12 anos o governo federal e o MST, em parceria, construíram as bases para que o Brasil deixasse o Mapa da Fome da ONU.“Superamos essa chaga histórica, combinando uma rede de proteção social capaz de atender efetivamente aos que mais precisam com políticas bem estruturadas de apoio aos nossos pequenos agricultores”.

Dilma disse que o governo e o movimento estão “prontos para enfrentar, juntos, uma nova tarefa: a de garantir comida verdadeira para as populações do campo e das cidades”.

“Vamos superar mais esse desafio, mantendo e ampliando direitos da nossa população e com ainda mais um estímulo à produção sustentável de alimentos, investindo na agroecologia e no trabalho dos agriciultores”.

A presidente avaliou que a primeira edição da Feira Nacional da Reforma Agrária “mostra que o MST e os camponeses do Brasil estão prontos para continuar protagonizando o processo de construção de uma nação mais justa, que garante alimentos saudáveis a todos os seus cidadãos e a devida e necessária valorização a quem os produz”.

 
 

Milhares de israelitas voltaram a exigir ontem na rua o reinício das negociações de paz com os palestinianos

"A via [de diálogo] que parou em 1995 [com o assassínio de Rabin] continua mais do que nunca a ser a de hoje", afirmou Anat Ben Nun, porta-voz da associação "Paz Agora", acrescentando que a violência "está completamente ligada à via que não foi retomada depois de 1995". 
Jerusalém, os territórios ocupados e Israel estão expostos a uma onda de violência, que, desde 1 de Outubro, já causou a morte a 53 palestinianos e árabes israelitas e a oito israelitas.
 
Primeiro-ministro em 1992, Yitzhak Rabin foi assassinado em 4 de Novembro de 1995, às mãos de um fanático judeu ortodoxo, Yigal Amir, que se opunha aos acordos de Oslo, de 1993, que criaram a Autoridade Palestiniana.
Os acordos, assinados na capital norueguesa, sob a mediação do ex-Presidente norte-americano Bill Clinton, valeram, em 1994, o Prémio Nobel da Paz a Yitzhak Rabin, ao então Presidente de Israel Shimon Peres e ao antigo líder palestiniano Yasser Arafat.
 
Já em 16 de Agosto se realizara outra grande manifestação com mais de dez mil pessoas convocada pelos mesmos organizadores: e os partidos de oposição de esquerda Meretz,   a ONG "Paz Agora", e o Hadash (Partido Comunista de Israel).
 
 

sábado, 24 de outubro de 2015

Grândola "resistiu" à invasão do Alentejo pela NATO...

No momento em que se forma governo em Portugal, a NATO  veio cá fazer manobras mas atascou as suas viaturas em areias alentejanas.
Há rumores de que a Presidência da República  estará a apurar da responsabilidade dos comunistas para reforçar a sua tese de que aquele partido não pode participar em soluções de governo.
Os militares norte-americanos que participaram num exercício da NATO, que contou com fuzileiros portugueses, depararam-se com dificuldades que não esperavam. As embarcações anfíbias não conseguiam subir o declive da praia alentejana de Pinheiro da Cuz, e as viaturas blindadas que acabaram por sair da embarcação ficaram atoladas na areia.
O embaixador norte-americano esteve presente.


As maiores manobras da NATO desde o fim da guerra fria foram motivo de protesto por parte do PCP e CGTP-IN
No total dos três países - Portugal, Espanha e Itália - o Trident Juncture 2015 junta mais de 36 mil militares de 30 nações. Portugal vai receber, até ao final do exercício, mais de 10 mil efetivos de 14 países.
Além dos militares que participam diretamente no exercício (940 integrados na Força de Resposta da NATO e 2.016 e 2.220 nos meios complementares, Portugal disponibiliza ainda mais 3000 militares para funcionarem como forças de apoio, totalizando em cerca de 6.000 os efetivos portugueses envolvidos neste exercício.
Para poderem arranjar-se imagens com alguma pinta, lá se arranjaram uns soldados para abrir à força de pá um carreiro para que três blindados subissem uma rampa com ljgeira inclinação. Depois de muito acelerar e queimar mais gasóleo que um Volkswagen de 2015, lá se subiu a rampa. Um aviso – “It’s time to go” marcou o início da fase sigilosa do resto da desatascação das viaturas, tendo os jornalistas sido impedidos de ver o resto, o que os levou a aproveitar para ir comer um ensopado de borrego, segundo as nossas fontes.

O exercício integra a componente naval da “Trident Juncture 15” da NATO, que começou nesta terça-feira e vai durar até 6 de Novembro nas áreas de Beja, Santa Margarida, Tróia e Setúbal, com militares portugueses, norte-americanos, espanhóis, franceses, holandeses e alemães.

 

 

Os passos, os portas e os cavacos há 145 anos...


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ferro Rodrigues põe Cavaco Silva em sentido

"Assim como não há deputados de primeira ou de segunda, também não há grupos parlamentares de primeira ou de segunda, nem coligações aceitáveis e outras banidas".

" Se à Assembleia da República se exige um respeito escrupuloso pelo papel dos restantes órgãos de soberania", nesse sentido, "temos o direito de exigir o respeito pela soberania da Assembleia da República".

"À Assembleia da República exige-se hoje em particular que saiba cumprir bem os seus deveres constitucionais, mas que saiba também ir além dos seus métodos tradicionais. Exige-se ao parlamento que saiba estar à altura do momento que vivemos e dos sinais que os portugueses nos estão a dar."

"Os níveis de insatisfação com a democracia são preocupantes. Essa insatisfação deve-se à insatisfação com a própria situação económica e social do pais. O processo de ajustamento económico que vivemos deixou feridas sociais que importa sarar com urgência, estou a pensar na pobreza, no desemprego, nas desigualdades e na emigração indesejada."
(Ferro Rodrigues, novo presidente da Assembleia da República)



"A Assembleia da República expressou, de modo inequívoco, a vontade de que esta legislatura seja de mudança, uma legislatura de mudança e de construção”. (António Costa, PS).

"Fiquei com a sensação que as garantias de isenção e de imparcialidade que devem estar na base do exercício da função de presidente da Assembleia da República estão ainda longe de ser garantidas.” (Luis Montenegro, PSD)

"Em democracia mandam os votos, e não as tradições. Não há nenhuma destas estátuas que seja dedicada às tradições parlamentares." (Pedro Filipe Soares, BE)

 "O novo Presidente  da Assembleia da República não começou bem o mandato, porque não vestiu o fato de presidente da Assembleia da República no seu primeiro discurso". (Nuno Magalhães CDS/PP)
 "A eleição de Ferro Rodrigues tem significado político, mas também simbólico, porque dá expressão à nova correlação de forças". (João Oliveira, PCP)

"As legislativas de 4 de outubro serviram para eleger 230 deputados, e não um primeiro-ministro".
(Heloísa Apolónia, PEV)

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"The greatest pleasure in life is doing
what people say you cannot do."
"O maior prazer na vida é fazer
o que as pessoas dizem que não se consegue"
Walter Bagehot
jornalista e ensaísta britânico
1826-1877

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Vamos lá então virar a página!

A entrada em funcionamento do novo governo, com apoio maioritário na AR, é uma esperança aberta para os injustiçados dos 4 anos da coligação de direita.
Embora o conteúdo dos acordos entre os três partidos que o suportam ainda espere pelo tempo próprio para ser revelado, a existência de uma base programática entre partidos como os que os estão a concluir, inspira uma grande esperança.
Não se tratará, como se vai percebendo, de um governo com elementos dos três partidos. Nem de um acordo, que não tenha que ir sendo observado para consolidar a garantia dada à partida de um governo estável e duradouro.
A propósito da futura tomada de posse, da rejeição de um governo da coligação que os portugueses derrotaram nas urnas, caso seja indigitado Passos Coelho, para dar lugar a um governo do PS com apoio maioritário, a direita, incluindo algumas vetustas figuras, a quem não doeu a austeridade, e que receia perder alguma gamela, irá atirar-se ainda mais ao ar.
Irá atiçar ainda mais do que até aqui a violência verbal nas rádios, televisões e jornais, contra o que consideram um governo contranatura, perigoso, passível de quebras de disposições de investimento de terceiros, pondo a mexer diabos e magarefes, bruxos e almas penadas que foi buscar aos alçapões bafientos do anticomunismo salazarento. Se tivessem essas possibilidades recorreriam à Mocidade Portuguesa, à Legião, aos torcionários da PIDE. Mas já não têm.
Podem derramar insultos e esconjuros. E até puderam hoje "fechar" a venda da TAP que os partidos, então na oposição, disseram ir fazer reverter
A direita troglodita foi mais uma vez derrotada. Uma significativa maioria de eleitores deu a vitória aos partidos à sua esquerda. Uma Assembleia da República, com apoio maioritário de deputados à sua esquerda, vai parir um governo que se anuncia como de ruptura com a política da direita nestes anos.
Os portugueses mereceram este resultado que premiou a luta nos mais diferentes sectores contra a destruição da direita. Face às ameaças e provocações, terão da nossa parte a serenidade de uma grande firmeza. Vamos lá então virar a página.

22 de Outubro - dia de memória contra o esquecimento

Hoje faz 70 anos que a PIDE-DGS foi criada.
A PVDE passou a designar-se PIDE, Policia Internacional da Defesa do Estado, através do Decreto-Lei 35 046, de 22 de Outubro de 1945.
Foi então atribuída à polícia política a instrução escrita dos processos criminais de natureza política e é-lhe permitido deter para averiguações durante 180 dias os suspeitos de actividades contra a segurança do Estado”.
desenho de João Abel Manta
Jamais esqueceremos as atrocidades, a censura, a aniquilação da liberdade, os crimes, as denúncias, as prisões, as torturas, as mortes que, ao abrigo da “defesa do Estado” se realizaram. Jamais esqueceremos as paredes de dor da António Maria Cardoso, do Aljube, em Lisboa, na Rua da Angra do Heroísmo, no Porto, no Tarrafal ou noutros locais improvisados, alguns dos quais conduziram directamente à morte de trabalhadores e de militantes clandestinos.
Não deixaremos de contar aos mais novos como se derramou o sangue dos que queriam pão e liberdade.

domingo, 18 de outubro de 2015

Canto Geral, de Mikis Theodorakis e Pablo Neruda (1981) na versão integral


Ainda sobre a Síria


A França é nestes dias a principal potência que propõe a derrota da República árabe síria. Entretanto A Casa Branca e o Kremlin realizam reuniões reservadas para encontrar a maneira de se desembaraçarem dos jihadistas. Paris continua a acusar o “regime de Bachar” de ter criado o Daesh (!) e declara que depois de eliminar o Estado Islâmico, há que acabar com a “ditadura alaouita” (ramo do xiismo em que se filia Bachar). Neste objectivo a França está acompanhada pela Turquia, a Arábia Saudita e pelos serviços secretos de Israel. Para eles a saída do presidente sírio é condição obrigatória para conseguir uma eventual solução política no conflito que dilacera este país árabe desde 2011.
Nas vésperas do início deste conflito, em 2010, a Síria mantinha-se dependente dos setores petrolífero e agrícola. O petróleo era então responsável por cerca de 40% das receitas das exportações. E várias expedições marítimas comprovaram que existem grandes reservas de petróleo no fundo do mar Mediterrâneo, entre a Síria e Chipre.

Os extremistas do Estado Islâmico (ISIS), criaram um auto-denominado califado no nordeste da Síria, tomando conta da maioria dos campos de petróleo do país, que se encontram principalmente nesta região. Isso privou Damasco de uma das suas principais fontes de divisas, quando estava empobrecido pela diminuição das exportações e a luta em todo o país.
O governo sírio tem acusado o ISIS e a Jabhat al-Nusra, ou Frente al- Nusra, filial síria da al-Qaeda , de perfuração clandestina, de roubar o petróleo e o vender para reduzir os preços em países vizinhos, principalmente na Turquia, para financiar as suas operações. Os números do Ministério do Petróleo sírio mostram que mais de 20 poços de petróleo foram incendiados, enquanto 128 outros foram roubados. Os números também apontam para cerca de 8,5 mil milhões de barris que estão a ser roubados numa média diária de cerca de 40.000 barris.

A acção da França e da Inglaterra tem alguma coisa a ver com a compensação aos regimes árabes do Golfo do pagamento das campanhas eleitorais de Holande e Cameron mas também vem na linha de atitudes colonialistas de há mais de um século.
Com Estados Unidos a dar-lhes apoio, vários países europeus (França e Reino Unido) e alguns governos do Médio Oriente (Turquia e Arábia Saudita), insistem na saída do presidente sírio como condição para conseguir uma eventual solução política ao conflito que sofre este país árabe desde 2011.

Querem enganar-nos quando falam de uma "guerra civil", quando na realidade a Síria resiste e enfrenta uma agressão internacional, onde participam mercenários de mais de 50 países, financiados, armados e treinados, entre outros, pela França a Turquia e a Arábia Saudita. Também não referem às discussões de paz surgidas no calor da crise, que levou à mesa de negociações o governo de Damasco e os principais agrupamentos políticos opositores que dentro do país também repudiam a intromissão estrangeira nos assuntos internos sírios.
 
Durante mais de quatro anos, em mais de 400 frentes de combate e com perdas humanas que superam 50 mil homens, o Exército Árabe sírio, dirigido por Bashar Al-Assad, tem resistido à investida de quase 300 mil homens armados e pagos precisamente pelo Ocidente.


Com a decisão adotada pela Federação Russa, de aceitar a solicitação formal de ajuda militar feita pelas autoridades de Damasco, caiu o mito da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que em mais de um ano de bombardeios sistemáticos, pouco fizeram contra os grupos terroristas nos territórios da Síria e do Iraque enquanto a ocupação territorial do ISIS alastrava.
A presença russa na Síria tirou do caminho os verdadeiros gestores do conflito, que até ao momento tinha custado a vida de 250 mil pessoas e que agora procuram parar a ação militar do gigante euro-asiático, que está decidido a pôr fim, em cooperação com o exército sírio, a este brutal flagelo.
Para além dos salões de reuniões europeus, a NATO não passa de vagas declarações ameaçadoras. Os Estados Unidos retiraram seus mísseis Patriot da Turquia, e na União Europeia começam a ouvir-se outras vozes que buscam terminar este calvário. Enquanto o exército sírio, apoiado pelos temíveis aviões de combate russos, continua a sua ofensiva contra o terrorismo, empenhado em devolver a paz ao seu povo.
 
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Neste naufrágio, os ratos gordos não querem largar o barco. Mas vão ter que saltar.

Há 2 dias apanhei um taxi e o motorista, guardando ainda alguma imagem minha de um passado recente, disse-me "Já viu que eles andam todos aos saltos, gritam, esperneiam. Parecem ratos...só que são uma espécie de ratos bem gordos que, apesar de terem naufragado o barco não querem de lá saltar!". E mais não disse nem era preciso depois de tão sábia observação.
 
Directores de jornais, directores de informação das grandes rádios, comentadores encartados, personagens que tinham cultivado um certo verniz democrático andam numa roda viva a descobrir todos os "grandes e imprevisíveis perigos dum governo liderado pelo PS, com o apoio do PCP e do BE". O chorrilho de disparates, de ameaças muito pouco veladas, de apelo às reacções negativas de mercados e investidores que eles gostariam que viessem por aí abaixo numa muito pouco patriótica atitude, de há muitos anos nunca vistas.
 
Estão com medo porque vão sair do poder, porque há perspectivas de melhoria das condições de vida dos portugueses que, durante 4 anos pisaram, deixando um país mais pobre, com uma legião de desempegados, particularmente entre os jovens e destes dos mais qualificados.
Mas não quiseram de deixar, quando pressentiram a derrota, de nomear correligionários para lugares da administração em vez de os enviarem para as empresas dos Hortas Osórios, que os apoiam.
 
Quem associa estabilidade ao PSD/CDS depois desta instabilidade permanente? Estabilidade virá de um governo de esquerda em que os três partidos acordem no que é essencial para a mudança de política. Não é desta "estabilidade" que tem falado o Papa Francisco para os homens e mulheres de bem da Igreja.
 
As eleições de 4 de Outubro não foram eleições para 1º Ministro (figura não contemplada na Constituição). Foram eleições para deputados que estabelecerão acordos entre si para formação de governos com apoio maioritário. É a partir deste facto que o Presidente da República procederá a contactos com vista a tal governo. Qualquer outro entendimento e o bloqueio a que conduziria, arrastava a solução de governo numa dinâmica de golpe de estado constitucional.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"The people I distrust most are those
who want to improve our lives
but have only one course of action in mind."

"De quem mais desconfio é dos
que querem melhorar as nossas vidas,
mas só de uma determinada maneira."

Frank Herbert
escritor americano de ficção cientifica
1920-1986

sábado, 10 de outubro de 2015

Edgar Silva, um candidato do Povo

A guerra contra a Síria é por causa de Assad?


 
A diabolização de Assad é uma história de mentiras e insinuações. Da mesma forma não existe "guerra civil" e uma oposição moderada. Se existe tem que se revelar. A Síria tem sido vítima de contínuos atentados e destruições de cidade por parte de uma organização, o Estado Islâmico, constituída por mercenários, iniciada numa reunião em 2013 entre alguns terroristas conduzida pelo falcão republicano, John Craig. Treinado pela Turquia, com armas obtidas pela Arábia Saudita e beneficiando do sistema de espionagem de Israel, o grupo terrorista e quem o apoia são responsáveis pelas chacinas mais bárbaras, pela destruição física de cidades, por muitos milhares de mortos, pela destruição criminosa de peças de cultura da antiguidade.
Os países ocidentais, face a estas evidências, e utilizando bases na Turquia, desencadearam um ataque "contra terroristas", de facto dirigido para o massacre de curdos, como ontem numa manifestação pela paz na Turquia, o que levou a Síria a pedir o apoio em ataques aéreos ao EI e a intervenção de tropas russas no terreno, que decorre com êxito na liquidação dos terroristas e das suas bases.
 
Voltando a Assad, importa referir que a sua família pertence ao Islão tolerante da orientação Alawid.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e à educação.
Na Síria as mulheres não são obrigadas a usar burca. A Chária (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do Mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da história houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma discriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora consiga compreender melhor a razão de tanto intere$$e da "guerra civil" na Síria e de quem a patrocina ...

Frase de fim-de-semana, por Jorge

Resultado de imagem para Will Durant"Education is a progressive discovery                            
of our own ignorance."
"A educação é uma descoberta progressiva
da nossa ignorância."
Will Durant
escritor e historiador americano
1885-1981

Há 53 anos, do primeiro single dos Beatles, "Love me do"

 

O empreendedorismo baseado no desemprego

Resultado de imagem para Empreendedorismo e baixos salários
Segundo a Lusa, uma tese de doutoramento da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra conclui que a maioria do empreendedorismo em Portugal é de necessidade, gera turbulência no tecido empresarial e contribui para o crescimento “anémico” da economia.
A tese de doutoramento, iniciada em 2012, constata que a maioria do empreendedorismo português surge alavancado pelo desemprego, o que leva a que esteja associado a um empreendedorismo “por necessidade”, ao invés de “por oportunidade”, indiciando que não contribui para o crescimento da economia, disse à agência Lusa o autor da tese, Gonçalo Brás.
Segundo o investigador, um dos “traços preocupantes do empreendedorismo em Portugal” é este ser alimentado pelo Governo, “em programas como o ‘Empreende Já’”, em que o desemprego “é condição ‘sine qua non’ [obrigatório] para haver apoio”.
O desemprego como alavanca para o empreendedorismo leva a que as pessoas “sejam empurradas para o mercado, muitas vezes impreparadas, o que pode resultar no endividamento das pessoas”, sublinhou.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A direita perdeu! Que venha uma alternativa à esquerda!

O governo perdeu. Pode não se encontrar um governo com apoio do PS à esquerda, apesar da CDU e o BE já se terem disponibilizado para falar sobre isso com o PS. Esse será um mau serviço prestado ao país pelo PS nestas circunstâncias. Se isso não se conseguir e este governo for reconduzido fica já muito condicionado na realização da política anterior nos ritmos e medidas concretas. À esquerda cada um assumirá as suas responsabilidades.
A comunicação social dominante e os comen...tadores do costume quiseram inverter a realidade ao colocar PSD/CDS como grandes ganhadores para disfarçarem a derrota. Em vão.
O PSD passou de 108 para 86 deputados (+1 que o PS), o PS passou de 74 para 85, A CDU passou de 16 para 17, o BE passou de 8 para 19 deputados e o CDS de 24 para 18.
Então mas afinal quem ganhou?
Agora sobrevalorizam problemas internos do PS que tendem a desfocar a atenção dessa realidade. Como antes admitiram a inevitabilidade de vitória do PS e nos últimos tempos se entregaram às maiorias absolutas que torciam a realidade para depois se atirarem a Costa e aos partidos à sua esquerda como gato a bofe. Como quase todos agiram desta maneira não resta dúvida que obedecem a uma agenda feita algures. Confiança e vamos intervir para que a derrota da direita seja bem sentida! E quem precisa de se defender da austeridade, redobre forças no combate!

sábado, 3 de outubro de 2015

"As folhas mortas", canção de Outono, escrita por Jacques Prévert e cantada inicialmente por Yves Montand

AS FOLHAS MORTAS
Oh ! gostaria tanto que te lembrasses
Dos dias felizes da nossa amizade,
Nesse tempo, a vida era mais bela
E o sol mais brilhante do que hoje.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Bem vês que eu não esqueci.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Assim como as lembranças e as mágoas,
E leva-as o vento norte
Na noite fria do esquecimento.
Bem vês que eu não esqueci
Aquela canção que me cantavas…
É uma canção connosco parecida,
Tu, que me  amavas, eu que te amava.
Os dois vivíamos juntos
Tu que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados.
Os dois vivíamos juntos,
Tu, que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente.
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados…

Jacques Prévert

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Dios sufre a los malos,
pero no para siempre
."
"Deus atura os maus,
 mas não para sempre."


Don Quijote
parte II, cap. 40

Alegre, o poeta que fugiu ao combate mas que agride, de forma rasteira, os que foram seus amigos

Eu e o Manuel Alegre temos muitos amigos comuns. Espero que discutam com ele esta atitude inqualificável. E que se entenderem comentar, mesmo negativamente o que aqui escrevo, que o façam.
 
Manuel Alegre teve ontem um papel que o desqualifica ao invocar Cunhal, que não está aqui para lhe responder. Alegre quer deslocar votos da CDU numas eleições que não são uma segunda volta das presidenciais. São uma eleição para deputados onde o que se avalia é a disposição de votar nas diferentes forças políticas. Por isso a direita irá ter uma grande derrota. Por isso o PS tem tido modestos resultados em sucessivas sondagens, mesmo que a estas não se deva dar excessiva importância, dada a fuga do PS ao combate à política de direita nestes 4 anos.
Depois de querer acabar com o cravo, nem a rosa lhe escapa
 A iniciativa que o PS encomendou a Alegre foi rasteira e traiçoeira na véspera do voto.
O PS terá que reflectir sobre o facto de não conseguir, de uma área política derrotada, atrair eleitores que se sentiram traídos pelo governo que viabilizaram há 4 anos com o seu voto.
Será que Alegre pensa que o PS é dono dos votos à sua esquerda? Que os eleitores não têm capacidade política para decidirem sem chantagem? Longe vai o tempo do "Não há machado que corte...". A canção de combate ficou mas o poeta fugiu dele para agredir, de forma rasteira, os que foram seus amigos.