sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Bom fim de semana, por Jorge

"Ohne Ehrfurcht vor dem Leben hat der Mensch keine Zukunft"

 "Sem profundo respeito pela vida, a humanidade não tem qualquer futuro"
 
Albert Schweitzer
médico, músico, teólogo, filantropo e nobel da Paz franco-alemão,
1875-1965 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A resolução do Conselho de Segurança da ONU, a reacção de Israel, e a situação na Palestina

Israel começou a construir uma rede de colonatos em toda a Cisjordânia, ocupada  em 1970, e continuou a expandir-se, depois dos Acordos de Oslo de 1993, o que acabou por dividir este território, consagrado como parte da Palestina por acordos billaterais, consagrados internacionalmente, em áreas palestinianas e outras israelitas.
Cerca de 385 mil colonos israelitas vivem na Cisjordânia ocupada, ao lado de 2,6 milhões de palestinianos.
Mais de 200 mil israelitas vivem ao lado de cerca de 300 mil palestinos em Jerusalém Oriental, que é a parte palestiniana da Cidade Santa que Israel ocupa desde 1967 e que acabou por anexar em 1980.
A recente resolução 2334 do Conselho de Segurança, do passado dia 23, pediu a Israel pela primeira vez, desde Março de 1980 para parar de construir colonatos nos territórios da Palestina e de Jerusalém Oriental, numa resolução em que, também pela primeira vez, os EUA não usaram sobre a mesma matéria o seu veto, ficando-se pela abstenção. Todos os 14 outros membros do Conselho votaram favoravelmente a resolução, depois de uma proposta originalmente avançada pelo Egito.
 
 
Porque decidiu Obama despedir-se com esta atitude, entre outras, agora quando a podia ter tomado em anos anteriores dos seus mandatos?
Penso que por várias razões.
A primeira, para tentar provocar um vade retro por parte Trump, apesar de a resolução não ter efeitos sobre a política que os israelitas realizam. Incomoda-os, isso sim, como mostra a suspensão de mais um colonato ontem em Jerusalém Oriental.
Por outro lado, para capitalizar a opinião de outros países árabes para a luta interna em que, obviamente, e apesar da perspectiva que avançou de ir calçar as pantufas, vai continuar. E continuará em muito melhores condições, que outros aliados do lobbie israelita nos EUA, como Hillary Clinton, Bil Clinton ou John McCain, que já não têm igual pedalada, apesar de a estrutura económica, política e militar a que estão associados, manter solidez e não depender apenas de um "one man show".
O efeito das invasões de território palestino e a construção de colonatos na Cisjordânia criou uma situação muito complexa, como o demonstra a infogravura junta do Le Monde de ontem. Suspender novos colonatos é importante mas a situação criada pelos colonatos já existentes será de dificil retorno quando a Autoridade Palestiniana segue de cedência em cedência até ao descrédito total que se reflecte também na crescente marginalização internacional.
E, se de Gaza, em tempos idos, houve possibilidades de dar alguma força à causa palestiniana, o Hamas acabou por fazer do seu governo nesta faixa um sistema retrógrado e autoritário, com o cariz da Irmandade Islâmica, incapaz de combater eficazmente o cerco de Israel e do Egipto, como o lembrou na Abrilabril, e bem, José Goulão na sua resenha sobre o Médio Oriente em 2016.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Refugiados – a outra face do imperialismo norte-americano e dos seus aliados



Enfrentar as causas da imigração passa pelo fim das guerras e agressões, e das políticas neocoloniais de exploração dos povos, pelo respeito da soberania e independência dos Estados, pelo combate à pobreza e por políticas de real solidariedade e cooperação.

Os responsáveis de uma crise

A crise dos refugiados, desde o início deste século, ocorreu particularmente depois da invasão do Afeganistão, em 2001, do Iraque, em 2003, e do início das «primaveras árabes», a partir dos finais de 2010, e depois com a proliferação de grupos terroristas nestes países, na Síria, e em vários países do Norte e Centro de África (Norte, Centro e Corno de África).

A avalanche de refugiados destes países, que fugiram dos horrores da guerra, responsabiliza em primeiro lugar os EUA, por razões económicas, de disputa de petróleo e domínio dos fluxos do gás natural. EUA que, num quadro de disputa geoestratégica, investiram, particularmente quando deixaram de ser a principal potência comercial mundial e se viram confrontados com potências emergentes que passaram a configurar um mundo multipolar e a disputar a liderança do dólar, a criar associações regionais e instituições de financiamento em que eles já não mandam.

Mas responsabiliza também a União Europeia e a sua política de imigração por mais estas tragédias humanitárias e de perdas de vidas humanas. E a Arábia Saudita no seu objectivo de dominar o Corno de África.

Foram até agora milhões, entre deslocados internos em cada país e emigrantes, que fugiram à guerra, à fome e à pobreza extrema.

Seres humanos procuram fugir da pobreza, da guerra, de maus-tratos e da morte, por vezes famílias inteiras, que arriscam a vida em luta pela sua sobrevivência e carregam consigo histórias dramáticas de vida. A comunidade internacional tem obrigação de cumprir com o princípio basilar consagrado na Carta das Nações Unidas, relativamente ao seu inalienável direito à vida e à dignidade.

Uma imigração, também de substituição

Enquanto aumentou o caudal de imigrantes pelas razões indicadas, o neoliberalismo provocou o decréscimo acentuado da população nos países desenvolvidos.

A ONU concluiu em 2001 que durante os 50 anos seguintes a população da maioria destes países desenvolvidos diminuiria e envelheceria em resultado da queda acentuada dos níveis de fecundidade e mortalidade, e que seria necessário manter certos níveis de imigração para evitar o decréscimo populacional em todas as regiões e países referidos no estudo. Mas o número de imigrantes necessários para evitar o decréscimo da população activa revelou-se mais elevado. A Alemanha e a Itália precisaram de um número bastante mais elevado. Este processo foi acompanhado pela captação preferencial de quadros, em que concorreram com idênticas políticas de atracção a Inglaterra e os EUA.

A vaga de refugiados de que falamos no início soma-se a estes fluxos.

A União Europeia e a Turquia

Encarando esta crise como uma ameaça e discriminando, na resposta a dar, refugiados e migrantes, a UE não quis responder a este drama, antes deu argumentos ao racismo e xenofobia. E, também a pretexto do drama humanitário, a União Europeia, seguindo os EUA e a NATO, permitiu novas aventuras militares no Médio Oriente e no continente africano.

Os principais países europeus envolvidos nestas práticas foram a Inglaterra, França e Alemanha. Mas quiseram libertar-se das responsabilidades, enxotando-as para os países balcânicos, que passaram a fazer o «jogo sujo» de conter o fluxo dos refugiados. Por sua iniciativa, a UE aceitou estabelecer acordos com a Turquia, de maneira surpreendente, aceitando imposições financeiras, e não só, de Erdogan, em troca de a Turquia ampliar o seu esforço de conter o fluxo dos que atravessam o seu território rumo à Europa. E com duas fases de exigências financeiras.

«A resposta a esta "crise" passa, em primeiro lugar, pelo respeito dos direitos humanos, incluindo os sociais e laborais, e do direito dos povos ao desenvolvimento.»

A maior exigência, apresentada na cimeira extraordinária sobre o tema, em Março deste ano, em Bruxelas, foi financeira: Ancara quis, até 2018, que a UE passasse para 6,8 mil milhões de euros a ajuda aos cerca de 2,5 milhões de refugiados que têm vivido em acampamentos turcos, a maioria dos quais sírios, que cruzam a fronteira para escapar da guerra em curso há cinco anos.

Em Novembro, na anterior reunião, o bloco europeu já havia acertado com a Turquia três mil milhões de euros para esse fim, ao longo de 2016 e 2017, tendo então de imediato a Comissão Europeia libertado a primeira tranche, de 95 milhões.

A principal oferta turca foi dispor-se a aceitar de regresso para seu território todos os «migrantes irregulares», apanhados em barcos no mar Egeu, inclusive aqueles que tivessem chegado a ilhas da Grécia, ou seja, já em solo europeu. Os custos dessas operações seriam pagos pela União Europeia.

Desde então, uma missão da NATO passou a patrulhar o Egeu para impedir as travessias ilegais. A contrapartida pedida por Ancara é que, por cada sírio que seja reconduzido das ilhas gregas para a Turquia, outro que estivesse a viver em acampamentos turcos entrasse numa lista a quem é garantido o acolhimento em países da UE.

O actual secretário-geral da ONU, António Guterres, à altura responsável pelo ACNUR [Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados], criticou este acordo em Abril deste ano, propondo como alternativa «a oferta maciça de reinstalação legal» para compensar um travão colocado no movimento irregular de pessoas em direcção à Europa, como forma de combater o contrabando e o tráfico humano. Infelizmente, o que foi posto em cima da mesa no acordo entre a União e a Turquia não foi isso. É: por cada um que é reenviado para a Turquia, vai-se buscar um. Ou seja, quanto menor for o movimento, menor é o número de pessoas que vêm legalmente para a Europa. Quando é exactamente o contrário: quanto menor for o movimento, maior deve ser o número de pessoas que vêm legalmente para a Europa. O que precisamos é de uma perspectiva distinta.

A resposta a esta «crise» passa, em primeiro lugar, pelo respeito dos direitos humanos, incluindo os sociais e laborais, e do direito dos povos ao desenvolvimento. Passa também pelo abandono da política de repressão e de militarização deste drama, que só alimenta as redes de imigração ilegais, e por uma política humanitária de apoio aos refugiados, ao seu bom acolhimento.

Mas, sem ilusões, o combate às causas da imigração passa pelo fim das guerras e agressões que estão na sua origem, pelo fim das políticas neocoloniais de exploração dos povos em países de África e do Médio Oriente, pelo respeito da soberania e independência dos Estados, pelo decidido combate à pobreza e por políticas de real solidariedade e cooperação para o desenvolvimento dos países economicamente menos desenvolvidos.

Principais fontes de refugiados, segundo dados do ACNUR sobre o ano de 2015

Sendo de prever para 2016 uma redução significativa de refugiados vindos do Norte de África, o cômputo global feito pelo ACNUR relativo ao ano que está a acabar só será concluído no início de 2017. Os dados disponíveis são do ano de 2015.

A Síria é vítima de uma agressão em que convergem EUA, França, Inglaterra, Turquia, Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo e Israel. Os ataques da Al-Nusra (Al-Qaeda), Exército Livre Sírio e outros grupos, incluindo o Estado Islâmico (que chegou a controlar 50% do país), fizeram com que mais de 20 milhões de habitantes fossem obrigados a abandonar as suas casas; e que 7,5 milhões de pessoas se deslocassem para outras partes da Síria e quatro milhões para a Turquia, Líbano e Jordânia. Depois do fim do drama em Aleppo, uma acção concertada com a Síria da Rússia, Turquia e Irão, poderá, com a paz, estancar-se este êxodo e ir recuperando condições de vida dignas para os refugiados.

Segundo o ACNUR, 34 % das pessoas que procuraram a Europa em 2015 eram sírias.

Em vários períodos dos últimos 40 anos do Afeganistão registou-se um acréscimo de refugiados e deslocados. Iniciou-se na revolta armada dos talibans, radicais islâmicos que desrespeitavam os mais elementares direitos humanos, a partir de 1990, nas tribos da etnia Pachtun, que habitam principalmente as regiões Leste e Sul do Afeganistão e também no Paquistão. Esta revolta foi contra o governo eleito democraticamente no país, depois da revolução de 1978, seguida da intervenção pedida por este aos soviéticos (1979-1989), na Guerra Civil (1992-1996), que terá provocado mais de um milhão de mortos, em que os vários grupos em confronto confiscaram terras dos camponeses, quer no regime Talibã (1996-2001), quer, depois, na intervenção norte-americana, no pós-11 de Setembro, que dura desde então.

A influência dos talibans, com o apoio do Paquistão, confrontou os governos do Afeganistão, provocando 710 mil deslocados internamente, 2,5 milhões deslocados noutros países, dos quais 95% no Paquistão e Irão. Desde 2002, mais de 3,8 milhões, devido às perseguições sofridas no Paquistão, regressaram ao Afeganistão.

Os EUA continuam a não dar mostras de contribuir para a solução desta questão.

Cerca de 12% dos clandestinos entrados em 2015 na Europa, pelo Mediterrâneo, eram afegãos.

Independente da Etiópia desde 1993, a Eritreia, com o presidente Isaias Afwerki, líder da independência, tem rejeitado as ingerências imperialistas. Tem sofrido ataques da Etiópia, que continua a ser fiel aliado de Washington.

216 mil refugiados repartiram-se entre os vizinhos Etiópia e Sudão. Mas as difíceis condições dos campos de acolhimento nestes países fizeram com que parte deles fosse para a Europa, onde têm um estatuto especial de «refugiados políticos», pressionado pelos EUA como forma de «comprovar a opressão interna na Eritreia».

«Os traficantes de refugiados [...] estão cada vez mais ligados ao crime organizado nos diversos países onde ocorre o fluxo migratório.»

Na Somália, prossegue uma difícil situação, com conflitos, desde a queda de Siad-Barre, em 1991, o que, com secas esporádicas, leva a grandes deslocações internas, e a um Estado falhado.

Também a acção da milícia islâmica Al-Shabaab, ligada À Al-Qaeda, impede a chegada de apoio humanitário de organizações estrangeiras, o que acentua situações de pobreza.

Segundo o ACNUR, houve deslocações internas de 1,1 milhões de pessoas e de um milhão para os países vizinhos Quénia, Etiópia e Iémen.

A Nigéria tornou-se no mais recente exemplo, em África, da internacionalização de um conflito interno. Os ataques da seita islamita Boko Haram, activa desde há anos no Nordeste do país, aumentaram nos últimos dois anos, perante a ineficácia do Exército nigeriano, acusado de corrupção e de não querer combater.

Em consequência dos combates com os terroristas, há uma deslocação interna de 1,3 milhões de pessoas e uma deslocação de 150 mil para o Chade, Níger e Camarões.

O tráfico de refugiados

Os traficantes de refugiados fazem parte de complexas redes criminosas internacionais, que não reconhecem fronteiras. Estes traficantes estão cada vez mais ligados ao crime organizado nos diversos países onde ocorre o fluxo migratório.

Em muitos casos os refugiados não têm outra escolha se não colocar as suas vidas e elevadas quantias nas mãos de traficantes, e com tantos mais riscos quando a pressão migratória aumenta, acentuando a precariedade das deslocações.

Quando não têm dinheiro – e isso acontece especialmente com os refugiados do Norte de África, que não têm dinheiro para pagar pela viagem entre sete e 11 mil euros –, os EUA pagam, através de várias organizações «humanitárias» suas, altas somas em dinheiro aos contrabandistas, que levam para a Europa, de forma ilegal e diariamente, milhares de refugiados.

Outra forma de os mais jovens fazerem a viagem é prostituírem-se ou roubarem e trabalharem para os traficantes.

Obama, Hollande e Cameron irão sair de cena com o mundo a apontar-lhes o dedo acusador por crimes contra a Humanidade, de que os refugiados são uma dolorosa consequência.

Nota - Artigo originalmente publicado em 26/12/2016 em www.abrilabril.PT
 

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Bom fim dfe semana, por jorge

"We think too much and feel too little.
More than machinery, we need humanity.
More than cleverness, we need kindness and gentleness."

"Pensamos de mais e sentimos de menos.
Mais do que maquinaria, precisamos de humanidade.
Mais do que esperteza, precisamos de delicadeza e gentileza."

Charlie Chaplin
actor e realizador de cinema
Inglês, nasc.1889 - falec. no dia de natal de 1977

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Obama sai com pesadas responsabilidades nas aflições que o mundo e o seu país enfrentam

Obama termina o seu mandato com um conjunto de diatribes e fogos fátuos que tentam disfarçar, ou atirar para responsabilidade de outros, os fracassos da sua política externa baseada em agressões noutros pontos do mundo. No início dos seus mandatos, a organização do Prémio Nobel atribuiu-lhe o Nobel da Paz, sem provas dadas, a não ser promessas que não cumpriu, depois do povo americano ter acreditado no “Yes, we can” de Obama. Os anos de Obama na presidência foram dos mais belicosos. O legado que deixa no seu próprio país é o de uma grande incógnita. Se no mundo reinasse a liberdade de informação, hoje travestida de monopólio dessa “liberdade” pelo imperialismo, a História iria julgá-lo tal como ele realmente foi.

Evacuação de Aleppo Oriental revela presença em bunker de oficiais estrangeiros

Segundo a rede Voltaire, os jihadistas que ainda ocupavam vários bairros em Aleppo oriental foram autorizados a sair, de acordo com sua própria vontade, para as cidades sírias de Idlib, sob o controle o controle da Al-Qaeda ou de Raqqa, o controlo doDaesh ou que se entregaram ao Exército Árabe Sírio. Aqueles que optaram pela saída foram evacuadas em autocarros, sob a proteção da República Árabe Síria e da Federação Russa, na presença de representantes da ONU.



Alguns jihadistas tentaram fugir misturando-se com os civis. Os serviços de inteligência identificaram-nos e mais de 1.500 foram presos durante o processo de registo dos cerca de 120 000 que se encontraram nos bairros libertados.

O deputado e presidente da Câmara de Comércio de Aleppo, Fares Shehabi, publicou uma lista não exaustiva de 14 oficiais estrangeiros detidos pelas forças especiais sírias no bunker da NATO do leste de Aleppo. São eles:

• Kanoglu Mutaz - Turquia
• David Scott Winer - Estados Unidos
• David Shlomo Aram - Israel
• Muhamad Tamimi - Qatar
• Muhamad Ahmad Assabian - Arábia Saudita
• Abd al-Fahd al-Harij Menham - Arábia Saudita
• Ezzahran Salam al-Islam Hajlan - Arábia Saudita
• Naoufel Ben Ahmed al-Darij - Arábia Saudita
• Muhamad Hassan al-Sabihi - Arábia Saudita
• Fahad Hamad al-Dousri- Arábia Saudita
• Amjad al-Qassem Tiraoui - Jordania
• Qassem Saad al-Shamry - Arábia Saudita
• Ayman al-Qassem Thahalbi - Arábia Saudita
• Ech-Chafihi Mohamed el-Idrissi - Marrocos

Esta lista identifica apenas os agentes que concordaram em identificar-se. Outros prisioneiros, que não quiseram revelar a sua identidade, representam evidentemente os outros Estados envolvidos nesta guerra de agressão contra a República Árabe da Síria.
Em conformidade com a Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra, não foram publicadas imagens desses militares.

Em Fevereiro de 2012, cerca de 40 oficiais turcos e cerca de vinte oficiais franceses foram devolvidos aos seu países através do mediador Mikhail Fradkov, director dos serviços de inteligência russos, ou entregues directamente ao almirante Edouard Guillaud, Chefe do Estado Maior das forças francesas na fronteira com o Líbano.

O pluralimo, cá como em França


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Crimes de guerra num bairro de Aleppo ontem ainda controlado pelos rebeldes, por Natalia Sanchez, Twitter, El País, a partir de Beirute


15 Dez 2016
Varias personas cargan con sus pertenencias en el barrio de al-Mashad, zona controlada por los rebeldes en Alepo (Siria),EFE

 

Tras casí seis años la guerra siria se ha cobrado ya más de 312.000 vidas, cerca de la mitad de ellas de civiles, según cifras proporcionadas por el Observatorio Sirio para los Derechos Humanos. La resolución 2139 adoptada por el Consejo de Seguridad de la ONU el 22 de febrero de 2014 insta a todas las partes del conflicto sirio a respetar las leyes humanitarias internacionales y por ende la protección de los civiles que no participan en las hostilidades.

Partida en dos desde 2012, la población de la Alepo oriental quedó bajo las leyes, no siempre unánimes, de los diferentes grupos opositores. Amnistía Internacionaldenunció el pasado mes de julio en un informe los crímenes de guerra cometidos por varias facciones rebeldes. “Hoy en Alepo e Idlib, los grupos armados tienen carta blanca para cometer crímenes de guerra y otras violaciones de la ley humanitaria internacional con impunidad. Sorprendentemente, hemos documentado el uso por parte de grupos armados de los mismos métodos y torturas que son habitualmente empleados por el Gobierno sirio”, reza el informe.
Los testimonios de víctimas denuncian a  facciones como Nour al Din al Zinki, Frente al Shamia, División 16, Fatá al Sham y Ahrar al Sham. Además de ejecuciones por adulterio o ataques a homosexuales, se encuentran otros casos más mediatizados como el del joven Abdulá Issa. Con tan sólo 12 años, el menor fue acusado de espía y públicamente decapitado por milicianos de Nour al Din al Zinki. A las ejecuciones dentro del perímetro rebelde se suma la lluvia de morteros que en el último mes ha matado a más de 140 civiles en los barrios residenciales de la Alepo occidental y bajo control del régimen.

Bom fim de semana, por Jorge


"One of the best ways to achieve justice is to expose injustice."
 
"Uma das melhores formas de alcançar a justiça é expôr a injustiça."
 
Julian Assange
programador e jornalista australiano fundador da WikiLeaks, n.1971

O Tweeter matou o jornalismo na guerra da Siria?

JPEG - 95.2 Koen. No canto superior esquerdo, o "jornalista" Hadi Abdullah (que faz pose com o seu amigo Al-Muhaysini, líder da Al Qaeda). No canto inferior direito, o "jornalista" Bilal Abdul Kareem. Sobre estes dois deve ler: https://legrandsoir.info/bien-pensance-rsf-et-la-ville-de-bayeux-remettent-des-prix-a-des-journalistes-amis- d-al-qaida.HTML
 



Esta é a pergunta que Ramzy Baroud, do Palestina Chronicle nos coloca, agora que a libertação de Aleppo revelou tanta mentira anteriormente propagada para nos convencer do que, afinal, veio a carecer de qualquer base de sustentação documental, de qualquer tipo que fosse, e que assentou em frases espalhadas no tweeter, supostas declarações individuais de pessoas desinseridas dos meios, que “aparecem” para o microfone, de imagens falsificadas ou retiradas de outros contextos.

O jornalista palestiniano refere declarações de um repórter veterano de guerra Robert Fisk como desenvolve o seu argumento no banco de Aleppo na "visualização" do vídeo, entendemos a quase impossibilidade de cobertura da mídia a guerra na Síria.

Em um artigo publicado recentemente no jornal britânico The Independent site, Fisk traça um paralelo com o assento, elevação e massacres atrozes dos nazistas em Varsóvia, Polônia, em 1944. terrivelmente alto custo desta guerra leva a Francês rejeitar a afirmação de que este cerco de Aleppo é "o pior massacre desde a segunda guerra Mundial."

"Por que não vemos combatentes rebeldes, como nos filmes de Varsóvia? Por que não falar de sua filiação política, como é feito nos tiros de Varsóvia? Por que não vamos ver o equipamento "rebeldes" militares -, bem como alvos civis - atingido por artilharia e ataques aéreos como vemos nos noticiários poloneses? "Ele pede, em seguida, mostrando o que ele percebe como uma comparação falho.

Fisk não duvidava de que as imagens de crianças mortas e feridas Aleppo Médio são verdadeiras; seu argumento se opõe principalmente a cobertura da mídia unidirecional, a demonização de um lado, enquanto o outro é isenta de críticas.

JPEG - 95.2 Koen superior esquerdo, o "jornalista" Hadi Abdullah (que levanta com seu amigo Al-Muhaysini, líder da Al Qaeda). Inferior direito, o "jornalista" Bilal Abdul Kareem. Sobre esses dois deve ler: https://legrandsoir.info/bien-pensance-rsf-et-la-ville-de-bayeux-remettent-des-prix-a-des-journalistes-amis- d-al-qaida.html

Eu sempre acho que comparar massacres - descobrir o que é pior - é de mau gosto, mesmo desumano. O que é, exceto para mitigar os efeitos de uma tragédia, para compará-lo com outra supostamente mais trágica? Ou, como o francês, talvez exagerando o número de mortos é usado para criar o tipo de medo que muitas vezes leva a empreender ações militares políticos e imprudente?

França e outros países membros da OTAN têm usado repetidamente essa tática várias vezes no passado. Além disso, esta é a forma como a guerra contra a Líbia foi inventada, supostamente para afastar o "genocídio" Tripoli iminente e o "banho de sangue" em Benghazi. Os norte-americanos têm usado durante a guerra do Iraque, de forma brilhante. Os israelenses avançaram em Gaza.

Na verdade, a intervenção dos EUA no Iraque sempre foi ligado a um tipo de ameaça global imaginário, não surpreendentemente, nunca foi comprovada. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair estava tão ansioso para tomar parte na conquista do Iraque em 2003, que fabricou em 45 minutos informações  de que o Iraque, sob Saddam Hussein, estava quase a obter armas de destruição massiva.


Os EUA fizeram melhor: foi recentemente revelado que os EUA haviam contratado uma empresa com sede em Londres, a Bell Pottinger, para criar vídeos falsos da Al Qaeda e fazer relatórios que parecem ser de meios de comunicação social verdadeiros.

Estes vídeos de propaganda foram "aprovados pessoalmente" pelo comandante da coligação, dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, assim como o site informativo Salon bem como outros sites como foi revelado.

Nós ainda não sabemos o conteúdo de vários dos vídeos, nem como este equipamento, que custou 540 milhões de dólares,para os contribuintes americanos tem influenciado os acontecimentos e a nossacompreensão deles.

Dado o elevado custo financeiro e o facto e que a empresa tem trabalhado directamente do "Camp Victory" em Bagdade, "ombro a ombro" com importantes funcionários dos EUA, só se pode especular sobre a importância de manipulação de espectadores e leitores durante todos estes anos.

Pior, se o associarmos com o facto e que a razão para a guerra era uma mentira, e que Donald Rumsfeld, então secretário de Defesa, não tinha a intenção de informar os jornalistas sobre o que estava realmente a ocorrer no terreno e que inúmeros jornalistas tinham concordado em ser "incorporados" nas forças americanas e  britânicas, a dimensão da distorção da cobertura mediática ainda se agrava. Sendo então de perguntar se qualquer coisa real nos foi relatado do Iraque.

Mas, contudo, sabemos que centenas de milhares de pessoas morreram durante esta aventura militar desastrosa, que o Iraque não fica melhor, e que milhares de pessoas irão ainda morrer, porque é isso que acontece quando países são invadidos, desestabilizados, costurados à pressa apenas para serem abandonados à sua sorte.

 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Fado Barroco, ontem na Gulbenkian



Fomos ontem a um concerto original, que recorreu à junção de elementos diferentes, para poder gerar a empatia de um publico heterogéneo que se adivinhava gostar de boa música.

Os intérpretes dessa diversidade musica foram Ana Quintãs (voz, soprano), Ricardo Ribeiro (voz, fadista), Miguel Amaral (guitarra portuguesa), Marco Oliveira (viola de fado), e os "Músicos do Tejo", ensemble de música barroca, dirigidos por Marco Magalhães e Marta Araújo, seus criadores. Todos eles bons músicos que se adivinharam à altura de diferentes desafios.

A proposta original, de Marco Magahães, director musical dos Músicos do Tejo, que foi acolhida pela Orquestra Barroca de Helsínquia, era, numa pergunta do próprio ao público que lá foi:
"Porque não retroceder até à Idade Média e mostrar coimo a poesia e a música galaico-portuguesas do século XVIII faziam parte de uma cultura rica e refletiam tantas influências diferentes, nomeadamente árabe-andaluzas? Sendo assim, porque não incluir uma das canções árabes de Rabih Abou-Khalil composta para o Ricardo Ribeiro? Ou ainda, porque não trazer para a sala de concertos géneros folk-pop mais recente como a música dos Madredeus?"

O concerto teve seis capítulos dedicados a:
  1. Guitarra Portuguesa, símbolo da música portuguesa;
  2. Portugal Medieval, raízes árabes e galaicas;
  3. Portugal Barroco;
  4. Fado Puro;
  5. Lunduns e modinhas;
  6. Fado e mais além
E foi uma fórmula de sucesso junto do público presente que não lhes regateou aplausos. E uma boa noite de música.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

"Cidadão Snowden"

A RTP transmitiu, no passado dia 5, a terceira parte do documentário “CITIZENFOUR” (“Cidadão Snowden”), premiado com o Nobel, cuja história começou em Janeiro de 2013, quando estando a realizadora Laura Poitras a fazer um filme sobre abusos de segurança nacional no pós-11 de Setembro nos Estados Unidos, começou a receber e-mails encriptados de alguém que se identificava como "CITIZENFOUR", que se dizia pronto a denunciar os programas de vigilância massiva dirigidos pela NSA (National Security Agency) e outras agências secretas.
Em menos de seis meses, depois de Snowden ter saído dos EUA para Hong Kong, e depois da administração norte-americana ter pedido a sua extradição sem êxito, Laura Poitras e o jornalista Glenn Greenwald, a quem Snowden confiou todos os elementos de que dispunha, trabalharam com ele meses a fio num documentário que viria a ganhar o Prémio Nobel no ano passado.
Snowden passou a Glenn e a Laura informações confidenciais da poderosa e tentacular NSA e de outras agências de inteligência, desmascarando práticas secretas de espionagem digital a milhares de cidadãos dos EUA e do mundo. Num trabalho coordenado por Glenn e pelo The Guardian a denúncia veio a público, provocando grande indignação e polémica. E Laura documentou em vídeo os múltiplos encontros entre Glenn e Snowden num quarto de hotel em Hong Kong, apresentando um documentário baseado neles o resultado em 2014.
Ao revelar-se há 3 anos ao mundo, Snowden afirmou:
O meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no paraíso, e vivia com grande conforto. Tinha também meios para, sem qualquer ordem judicial, procurar, avaliar e ler as comunicações de todos vós, comunicações de qualquer pessoa, a qualquer momento. E o poder para mudar o destino das pessoas.
Isso é também uma grave violação da lei. A 4ª e 5ª Emendas da Constituição do meu país, o artigo 12º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e inúmeros estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância pervasiva massiva. Enquanto a Constituição dos EUA definem estes programas como ilegais, o meu governo argumenta que decisões tomadas por tribunais secretos, que o mundo não tem permissão para ver, legitimam, de algum modo aquele procedimento ilegal. Essas decisões de tribunais secretos corrompem, simplesmente, as noções mais básicas da Justiça – que a Justiça, para ser feita, tem de trabalhar às claras. O imoral não pode ser transformado em moral por força de lei secreta.
Acredito no princípio declarado em Nuremberga em 1945: “Os indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência. Portanto, cidadãos, indivíduos, têm o dever de violar leis domésticas para impedir que se cometam crimes contra a paz e a humanidade”. (…).
Apesar de refugiados, de serem tratados como traidores pelos falcões que dirigem o Biga Brother, a acção de Edward Snowden, de Julian Assange e da WikiLeaks tem sido de grande importância contra esta vigilância massiva que recorre a novas e caras tecnologias para manter controlados países, governos e povos.
O The Guardian foi o primeiro jornal a divulgar os documentos. Outros jornais de vários países do mundo seguiram-lhe o exemplo e foram divulgando, sistematicamente, a vigilância que devassa a vida de todos os cidadãos, os transforma em alvos de pressão política, chantagem e assassinato sem precedentes, atingindo também os próprios países e governos aliados dos EUA.
Edward Joseph Snowden, na altura com 30 anos, era analista de sistemas e administrador de sistemas da CIA e contratado da NSA. Vive, asilado em Moscovo há 3 anos, tal como o australiano Julian Assenge, um dos responsáveis da WikiLeaks, jornalista e cibernauta, vive asilado há 4 anos, na embaixada do Equador em Londres.
A actualização de dados que vão sendo extraídos da documentação em bruto e outras questões relacionadas podem encontrar-se:
·         No The Intercept (https://theintercept.com/),
·         Na Courage Foundation (https://www.couragefound.org/),  
·         No The Guardian (https://www.theguardian.com/us-news/edward-snowden),
O já chamado “Arquivo de Snowden” inclui uma grande diversidade de documentos, com relevo para programas de monitorização e comunicações internas e pertencem essencialmente à NSA mas incluem também actividades de outros serviços secretos das mesmas áreas como o Government Communicatios Headquarters (GCHQ), britânico. Aliás estas duas agências trabalham partilhando informações, o que permitiu a Snowden ter acesso a elas. Mas trabalham também em associação com as agências homólogas da Austrália, Nova Zelândia e Canadá (algumas das mais poderosas do planeta, conhecidas como os 5-eyes ou 5-olhos…), o que lhes permite ter uma visão muito ampliada das actividades de informação electrónicas.
O  general Keith Alexander responsável pela NSA, cuja cúpula está atrás de si, já reclamou do Congresso aumento de dotações “para evitar uma guerra cibernética, ao mesmo tempo que diz em entrevistas que não grava nem recolhe informações de ninguém...
 
 
São múltiplos os exemplos da natureza maciça desta monitorização. Por exemplo:
• A NSA recolhe 200 milhões de mensagens de texto e imagens por dia em todo o mundo;
• O GCHQ intercepta chats de vídeo de 1,8 milhões dos utentes da Yahoo!.
• A NSA é capaz de chegar a todos os lugares de um único país;
• O GCHQ intercepta quantidades astronómicas de dados nos diversos cabos submarinos que chegam à Grã-Bretanha, sendo mesmo capaz de manter uma cópia completa dos dados por três dias.
A lógica de funcionamento da captação de dados é recolher tudo em cada vez mais suportes num “palheiro” cada vez maior para depois selecionar a “agulha”, tendo um dos cérebros do GCHQ já sugerido que se captasse tudo na internet…Há agências e empresas a transbordar desta informação mas é assim mesmo que trabalham.
Depois das revelações de Snowden, a NSA e o GCHQ desenvolveram um sistema e processo de industrialização e automatização de infeção de milhões de computadores, que a NSA é capaz de inserir para modificar programas espiões em routers americanos, dispositivos que permitem fazer transitar uma grande quantidade de comunicações através da Internet, antes de a disponibilizar.
Com a passagem do tempo, a “porosidade” entre estes serviços secretos e empresas como a Microsoft, o Facebook, o Google, empresas de telecomunicações terrestres e marítimas foi sendo revelada, quer porque os primeiros o davam a entender quer porque as segundas, em jeito envergonhado reconheceram “acordos” entre as duas partes. O Washington Post revelou depois a pirataria da NSA em relação ao Google e à Yahoo!(1).
Mas esta “porosidade” permite que a NSA exerça a sua pesada influência para enfraquecer certos padrões de encriptação dos dados, tornando potencialmente mais fácil a leitura de dados supostamente protegidos e debilitando a segurança de todos os utilizadores da internet.
As revelações de Snowden permitiram também verificar que há governos de países como a Alemanha que prescindem de parte da sua soberania ao permitirem o acesso a dados recolhidos no seu território ou acesso a dados interceptados pelos próprios…
Outra faceta da actividade da NSA e GCHQ foi agora revelada pelo “Le Monde” que tem um acordo com The Intercept. Supostamente a grade maioria da actividade destes serviços secretos deveria estar centrada no tráfico de armas, de drogas e de seres humanos ou na recolha de dados sobre grupos terroristas…Mas parece que não. A maioria das operações tem como alvos operadores de telecomunicações, quadros dirigentes destas e as suas actividades profissionais.
Também na investigação sobre o GCHQ no “Arquivo Snowden” o jornal francês encontrou relatórios de ensaio sobre links de satélite que transportam tráfego de internet e telefone. Na Primavera de 2009, a agência interceptou comunicações internas de duas operadoras muito activos no Médio Oriente e em África. A “rede Zain”, criada pelo GCHQ, está muito presente em África e ainda operava, à data da divulgação do “arquivo”, em 2013, em quinze países, do Burkina Faso ao Níger passando pelo Uganda e pelo Chade, procedendo à vigilância de chefes de estado de vários países, incluindo José Eduardo dos Santos (3).
Snowden e Assange foram vítimas de perseguição, de ameaças de morte, de mentiras, estão limitados nos pequenos espaços que a solidariedade da Rússia e do Equador, perderam a vida familiar e o direito ao bem-estar. Tiveram uma atitude corajosa para o bem da humanidade, ao contribuírem para que, nestes 3 anos, os povos de todo o mundo pudessem ter algum acesso ao conhecimento sobre o controlo total que o imperialismo procura ter sobre eles.
 
(*) Texto originalmente publicado, nesta mesma data, em www.abrilabril.pt